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Prefeitura Municipal de Contagem
   

Contagem comemora 30 anos da Luta Antimanicomial

Usuários e servidores da Rede de Atenção Psicossocial desfilam em comemoração pela data

Fábio Silva

Mais de três mil pessoas participaram do desfile em Belo Horizonte

Para provocar reflexões sobre o lugar social da loucura e reforçar a luta pela extinção dos manicômios e a favor de um tratamento digno e humanizado a usuários da saúde mental, a Prefeitura Municipal de Contagem (PMC), por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), está oferecendo nessa semana (15 a 19), uma programação que inclui discussões, arte e cultura.

 A semana contou com uma apresentação, na segunda-feira (15), do Grupo Cultivarte e do Circo Psíquico, no Centro Cultural Casa Azul, que envolveu cerca de 40 pessoas, entre atores, músicos e técnicos de palco. Na terça-feira (16), foi dia de confecção de fantasias no Centro de Convivência Horizonte Aberto, no bairro Santa Cruz. Na quarta-feira (17), usuários e trabalhadores da Rede de Atenção Psicossocial de Contagem (Raps) visitaram o Circuito Cultural da Praça da Liberdade e conferiram a exposição “Empresta-me seus olhos?”.

 E para celebrar o 18 de maio, Dia Nacional da Luta Antimanicomial, representantes dos serviços de saúde mental do município participaram do desfile da Escola de Samba “Liberdade ainda que Tam Tam”. No desfile, foram comemorados os 30 anos da Luta Antimanicomial e os 20 anos da escola, formada por usuários, familiares e trabalhadores em saúde mental da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e de outras cidades de Minas Gerais. A Secretaria de Educação (Seduc) do município e a coordenação do Movimenta Contagem disponibilizaram os veículos utilizados no transporte de usuários e servidores para Belo Horizonte e para a realização do teatro na cidade. Os usuários dos serviços participam das ações de forma colaborativa, integrando apresentações artísticas de teatro, música e poesia.

 O ato político-cultural percorreu o trajeto entre a Praça da Liberdade até a Praça da Estação, na capital mineira. De acordo com o Patrulhamento de Trânsito da Polícia Militar, em Belo Horizonte, cerca de três mil pessoas participaram do desfile. Usuários e servidores dos quatro Centros de Atendimento Psicossocial de Saúde (CAPS) do município, do Centro de Convivência Horizonte Aberto e dos Serviços de Residência Terapêutica do Eldorado e do Novo Progresso integraram a “Ala dos delírios: Há de enlouquecer, sem perder a criatura”, juntamente com representantes do Centro de Convivência do Barreiro (BH) e da Associação dos Moradores do Novo Progresso (Amonp).

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Patrícia Chompré gerente do CAPS Eldorado no desfile

  A Enfermeira, gerente do CAPS Eldorado, Patrícia Chompré, que participou do ato, diz que “este é um movimento muito grande, e tudo está sendo feito com muito carinho por nós de Contagem. Temos a intenção de irromper barreiras e mostrar que o exercício da cidadania não deve depender da saúde mental das pessoas, todos somos iguais”, afirma. Izaias Ferreira, que também participou e atualmente frequenta o CAPS III, conta que acompanha o movimento de perto há mais de 20 anos. "Antigamente, para realizar esse desfile era preciso acompanhamento policial. Antes, saíamos para lamentar, e hoje, para comemorar”, diz.

 A produção das alegorias e vestes utilizadas no desfile, que ocorreu no Centro de Convivência Horizonte Aberto, começou no dia 8 e se estendeu a até a terça-feira (16), envolvendo usuários e servidores da Raps. O Centro de Convivência Horizonte Aberto foi reativado no final de março, para complemento do tratamento oferecido aos pacientes que receberam alta nos CAPS. “Colocamos nelas, por meio das nossas mãos, as mãos da criação, do pintor italiano renascentista Michelangelo, para simbolicamente recriar a vida com arte e convivência. Todos se envolveram muito”, atesta a gestora do centro de convivência, Karen Alvim. 

 Rede de saúde mental de Contagem

 “Ainda há muito que se avançar na construção de ações de fortalecimento de laços comunitários em torno da atenção básica à saúde, potencializando o vínculo no território e promovendo o protagonismo de usuários e familiares para intervenções socioculturais, a fim de sustentar mudanças no olhar social em torno da loucura. Contudo, é preciso frisar que o município de Contagem conquistou avanços na construção de uma política de saúde mental e na organização dos serviços que compõem a Rede de Atenção Psicossocial (Raps). "afirma o diretor do Departamento de Saúde Mental, Rodrigo Dias.

   

REPÓRTER: Carolina Brauer    FOTO CRÉDITO: Fábio Silva    

PUBLICAÇÃO: 19/05/2017 15:47:49